Atendimento 24h · 365 dias +55 (85) 9.8811-0000 R. Nunes Valente, 1309 · Aldeota · Fortaleza
Fale conosco
Opinião · 2 min de leitura

Bem X mal

Publicado na coluna de Daniel Maia no jornal O POVOLer no O POVO ↗
Opinião · Daniel Maia

É muito difícil definir se uma pessoa, uma coisa ou um fato é verdadeiramente bom ou ruim, pois a definição de tais conceitos, assim como de outros similares, como "bom", "mau", "justo", "injusto", etc. são definições extremas que geralmente não se confirmam com o passar do tempo.

Immanuel Kant, filósofo prussiano, dizia que as extremidades se encontram no erro. Talvez ele quisesse, com isso, dizer que não podemos ser extremos ao definir uma situação ou uma pessoa como "boa" ou "má", pois as circunstâncias mudam e as condições, tanto do julgador, quanto da própria pessoa avaliada, também podem mudar e aquele conceito atribuído a ela anteriormente pode não mais defini-la corretamente.

Entretanto, em uma sociedade em que cultuamos cada vez mais a rapidez das coisas ou, como diria Zygmunt Bauman, "a liquidez das relações", em que pessoas logo que são apresentadas já se adicionam em suas listas de "melhores amigos", mas, no dia seguinte, nem se lembram do nome real do outro; em que no primeiro mês de namoro postam fotos com a legenda "0.1: amor da minha vida", mas por motivos fúteis rompem e já aparecem com um novo "amor 0.1" em busca de likes; em que pessoas ostentam ter milhares de seguidores e se orgulham em não ter nenhum amigo, enfim, em uma sociedade de relações fulgazes, definir que alguém é bom ou mau é muito difícil e pode até mesmo configurar algum tipo de crime, pois o limiar de tolerância das pessoas também é superficial e quase tudo hoje em dia é passível e um "mimimi" supostamente discriminatório.

Assim, penso que melhor do que julgarmos com uma sentença definitiva e extrema se as pessoas são boas ou más, devemos fazer como o alfaiate do escritor francês George Bernard Shaw, o qual dizia: "A pessoa mais inteligente que eu conheço é o meu alfaiate, pois todas as vezes que vou a ele, ele me tira novas medidas. Mas, muitas pessoas da minha convivência me tiraram uma única vez a medida e me julgam somente a partir daquela."

Julguemos menos, vivamos mais! n

Daniel Maia
Sobre o autor
Daniel Maia

Advogado, fundador do Daniel Maia Advocacia, Professor Pós-Doutor de Direito Penal da UFC e colunista do O POVO.

Atendimento 24 horas

Precisa de orientação jurídica? Fale diretamente com um advogado.

Chamar no WhatsApp